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Mortalidade infantil e de recém-nascidos até 2030: alerta do UN IGME

Mãe segura bebê enquanto duas enfermeiras sorriem em sala de clínica rústica com mapa na parede.

Mais de 13,000 crianças morrem todos os dias antes de completar cinco anos. Uma parcela enorme dessas mortes poderia ser evitada com cuidados básicos de saúde, assistência qualificada no parto e apoio mais eficaz aos recém-nascidos.

Durante muitos anos, o mundo avançou com força na redução da mortalidade infantil. Só que, na última década, esse ritmo perdeu fôlego.

Um novo estudo dimensiona o quanto essa desaceleração se agravou e o que ela pode significar até 2030. Os resultados alarmam, mas também deixam claro que ainda é possível salvar muitas vidas - porque as soluções já estão disponíveis.

O principal organismo por trás desse trabalho é o Grupo Interinstitucional das Nações Unidas para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME).

Mortalidade infantil continua elevada

Em 2024, cerca de 4.9 milhões de crianças morreram antes do quinto aniversário. Desse total, aproximadamente 2.3 milhões morreram ainda no primeiro mês de vida.

Na prática, isso significa que quase metade de todas as mortes na primeira infância ocorre hoje nas quatro primeiras semanas após o nascimento.

Essas perdas entre recém-nascidos estão entre as mais evitáveis e acontecem justamente no período em que o bebé depende, de forma mais absoluta, do cuidado à sua volta.

O ritmo de melhoria desacelera no mundo

A frustração é que a queda já foi bem mais rápida. Entre 2000 e 2015, a taxa global de mortes de crianças diminuiu quase 3.9 por cento ao ano.

Vacinas, água limpa, alimentação melhor e um grande impulso de recursos e vontade política pouparam milhões de vidas.

Depois, a velocidade caiu. De 2015 a 2024, a redução anual ficou em apenas 1.5 por cento. Em termos simples, o mundo avançou cerca de 61 por cento mais devagar do que antes.

Recém-nascidos estão em maior risco

Bebés mais velhos e crianças pequenas continuam a sobreviver em ritmos melhores do que os recém-nascidos.

Desde 1990, a mortalidade entre crianças de um a cinquenta e nove meses recuou cerca de 65 por cento. Já as mortes no período neonatal caíram apenas 53 por cento.

A diferença tem relação directa com as causas. Entre crianças maiores, predominam infecções - e isso costuma ser prevenível ou tratável com vacinas e cuidados médicos essenciais.

Entre recém-nascidos, as mortes estão ligadas a complicações do parto, nascimento prematuro e problemas de saúde da mãe. Para enfrentar isso, são necessários profissionais qualificados, equipamentos e hospitais estruturados - elementos muito mais difíceis de instalar e manter em contextos pobres.

O local de nascimento define as chances de sobreviver

O lugar onde a criança nasce pesa enormemente. A África Subsaariana respondeu por 60 por cento das mortes de crianças pequenas em 2024, embora concentrasse apenas cerca de um terço dos nascimentos no mundo.

O Sul da Ásia ficou com grande parte do restante. Um bebé nascido na África Ocidental e Central enfrenta um risco muito mais alto do que um bebé nascido na Europa Ocidental.

Muitos países estão a ficar para trás

O mundo estabeleceu uma meta clara: até 2030, todos os países deveriam reduzir de forma acentuada a mortalidade tanto de crianças pequenas quanto de recém-nascidos.

Mas, mantidas as tendências actuais, 60 países não alcançarão o primeiro objectivo e 66 não cumprirã0 o segundo.

Mais de 400 milhões de crianças com menos de cinco anos vivem em lugares que estão a perder o passo. O que foi prometido no papel está a ficar cada vez mais distante na vida real.

Milhões de vidas em jogo até 2030

Os investigadores também projectaram o futuro. Se nada mudar, cerca de 27.3 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos entre 2025 e 2030 - quase metade delas ainda como recém-nascidas.

Esse desfecho, porém, não é inevitável. Se os países atrasados conseguirem cumprir as metas globais, 8.2 milhões dessas mortes seriam evitadas.

E, caso todos os países atingissem os níveis de sobrevivência já comuns em nações ricas, o total poderia cair para menos de 10 milhões. Entre esses cenários, a diferença corresponde a milhões de crianças reais.

O financiamento em saúde está a encolher

Países ricos estão a reduzir a ajuda que financia programas de saúde em países mais pobres.

Estudo após estudo associa esse apoio à queda das mortes infantis. Retirar esse recurso agora - quando o progresso já é frágil - pode desfazer anos de trabalho duro e expor milhões de crianças a um risco maior.

As soluções já estão ao alcance

O ponto mais marcante desta pesquisa é que ela não depende de uma novidade milagrosa. As ferramentas já existem.

Um profissional de saúde qualificado em cada parto. Assistência adequada para recém-nascidos pequenos e doentes. Acesso a serviços de maternidade.

Tratamento rápido quando algo sai do esperado. Alguns países já derrubaram as mortes infantis a níveis muito baixos, mostrando o que é viável quando recursos e decisão política se alinham.

Agir mais depressa salva vidas

Esta não é uma história de tragédia inevitável. Trata-se de um motor que perdeu velocidade - e que pode voltar a acelerar.

Isso já foi feito antes, e o roteiro continua válido. As crianças consideradas nessas projecções ainda não nasceram.

Se 27 milhões delas morrerão, ou se serão muito menos, dependerá de decisões tomadas agora - em reuniões orçamentárias distantes de qualquer enfermaria.

“Devemos mobilizar todos os esforços para acelerar o ritmo de queda da mortalidade, como um imperativo moral”, observam os especialistas. Essa é a verdade mais dura deste relatório - e também a mais esperançosa.

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